Geralmente considera-se como os símbolos principais de uma Pátria, a sua Bandeira e o seu Hino.
Creio que não há nacional nenhum que mesmo em longínquas paragens ao aperceber-se da existência local desses simbolos não sinta uma certa emoção e os respeite.
Ora aqui é que nasce o problema!
O português pós-25 de Abril não foi educado nos símbolos nacionais porque a cartilha vigente no início do último quartel vivido considerava que o ensino da Bandeira e do Hino Nacional era uma demonstração do regime anterior e nada própria numa ideia política de certa cor.
Resultado:
Já não se sabia de que lado ficavam as cores nacionais (verde e vermelho) e ainda hoje se repetem os casos de içar a bandeira de pernas para o ar com os castelos e as quinas invertidas.
Quanto ao hino nacional, a música era reconhecida vagamente e a letra nem pensar.
E então, quanto a ouvi-lo respeitosamente e de pé, era fatal!
Vergonha das vergonhas, foi preciso vir de um país irmão, ex-colónia e criado à nossa imagem, um Homem que, por força da sua actividade profissional, conseguir fazer aquilo que em Portugal nenhum dos seus filhos era capaz de fazer, muito menos o Ministério que era responsável pelo facto.
Mas hoje já há quem na nova juventude perceba que um Ministério da Educação que não é capaz de ensinar aos jovens os símbolos nacionais pátrios também não deve ser grande coisa na língua materna, o PORTUGUÊS, nem nas restantes ciências e artes.
A todos os chefes militares, a propósito da BandeiraJoão José Brandão Ferreira - 20080814
Sejam quais forem as razões pelas quais hasteamos bandeira, essas razões cessam quando está mau tempo?
Na senda da minha chamada de atenção sobre "pormenores", a qual já dura há mais de 30 anos, venho trazer ao conhecimento dos comandos das FA mais um caso que me chamou a atenção, no usufruto de um dom especial da Providência Divina, que me faz reparar em coisas que, pelos vistos, mais ninguém repara.
Assim, no salutar intuito de castigar o físico, certamente para equilibrar o facto de ser relapso a jejuns e outras penitências, que as grandes religiões sabiamente prescrevem, dei outro dia, ao entrar pela porta de armas do Comando Operacional da Força Aérea, com o mastro nu da Bandeira Nacional. Como a hora a que tal se passou incorria no espaço temporal originado pelo movimento de rotação da Terra, conhecido na gíria meteorológica por "entre o nascer e o pôr-do-sol, estranhei.
Feitas as inquirições, apurei da existência de uma determinação que inibe a exibição da Bandeira Nacional quando a fúria dos elementos se prevê atingirem determinada violência. A razão, apurou-se também, reside na tentativa de preservar por mais tempo aquele símbolo das Quinas com origem em Ourique. Não se pode dizer que não seja uma preocupação estimável.
Uns dias depois a cena repetiu-se. Tal facto, quero confessar, desencadeou nas moléculas afectas à parte pensante do meu ser, um movimento algo desordenado e anárquico. Mais tarde seguido, por outro, de cariz mais ordenado.
Lembrei-me então, que a Bandeira Nacional é hasteada nos edifícios públicos sitos no território definido como português, o que inclui embaixadas e consulados em países estrangeiros. Os quartéis onde se instalam forças militares portuguesas destacadas, incluindo navios de guerra e aeronaves, também evidenciam as cores nacionais.Tal facto quer dizer que ali é a nossa casa, que ali mandamos nós; representa ainda uma comunidade de afectos, um símbolo de unidade e de individualidade.
O ponto é este: sejam quais forem as razões pelas quais hasteamos bandeira - e fazemo-lo segundo o estatuído em normas e regulamentos, não o fazemos de qualquer maneira -, essas razões cessam quando está mau tempo?Não me parece que cessem. E creio que a maioria das entidades estaduais também assim pensa, a começar nas autarquias, que devem ter destas coisas, uma ideia assaz mais nubelosa do que os militares.
Quero dizer com isto que a tecnocracia não se deve impôr aos princípios e que a nossa esforçada intendência terá que programar verbas para garantir uma gestão de stocks eficaz, pela não menos operosa logística, quiçá encomendar que tais artefactos sejam feitos com materiais mais resistentes. Basta seguir o mesmo raciocínio que se tem para as botas, os parafusos e demais parafernália que faz falta a uma tropa moderna ou antiga. Embora, salvo melhor opinião, me pareça que a Bandeira de todos nós, não deva estar ao mesmo nível do atrás apontado.
Isto para já não chegar ao ponto de desculpar o sargento de dia que não passa ronda porque troveja, ou passarmos a ter uma aviação apenas de bom tempo.Cá estão os "pormenores" a ligarem-se ao todo. Estando as moléculas em movimento, agora excitadas por electrões e outras partículas menos visíveis, que a Física nos descreve, alongou-se a inquirição, até chegarmos à conclusão que: o Exército hasteia bandeira aos domingos e feriados nacionais; a Armada, porém, fá-lo diariamente, e nos navios com cerimonial próprio; na Força Aérea, depende das unidades...
Parecendo-me a mim desejável e harmonioso, que se uniformizem procedimentos entre os Ramos - salvo se alguma tradição ponderosa justifique a existência de alguma peculiaridade específica - o que só se poderá determinar a nível do Concelho de Chefes, aqui deixo o alvitre.
Quanto à FA a dessintonia resulta, aparentemente, do seguinte: o Regulamento Geral de Serviço Interno, herdado do Exército aquando do grito do Ipiranga aeronáutico, de 1 de Julho de 1952, deixou de se aplicar, salvo erro, por alturas de 1975. Até hoje não foi substituído apesar de algumas tentativas feitas nesse sentido. E como a natureza tem horror ao vácuo e a tropa então nem se fala, os comandantes/directores de diferentes unidades/órgãos/comandos têm produzido "directivas" internas sobre os mais diversos assuntos.
Não quero terminar sem deixar claro que nunca estive, não estou, e não penso vir a estar, ligado a qualquer negócio relacionado com a fabricação ou comercialização de bandeiras e seus acessórios.
Eis pois o que as minhas moléculas pensantes discerniram sobre tão subido assunto e vêm - agora já mais acalmadas - expôr ao superior julgamento de V. Exas.
Tenente-coronel piloto aviador (Ref)
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