A civilização ocidental sempre teve uma certa dificuldade em admitir que, numa determinada época temporal, possam ter existido outras civilizações exteriores que estivessem ao mesmo nível de desenvolvimento e ainda menos que alguma estivesse mais avançada.
Ainda nos dias de hoje, no campo científico, quando alguém obtêm um determinado nível sendo exterior ao meio, logo aparece alguém, inglês ou americano, que exactamente no mesmo dia ou na véspera também tinha chegado a essa mesma situação.
É só vermos as descobertas cientificas recentes ex-aqueo de ocidentais e exteriores.
O caso da ilha do Corvo nos Açores segue a mesma linha.
"A estátua do Corvo - verdade e lenda"Encerrando a questão: crismar Damião de Góis de ingénuo receptor de fantasias é ousado e perigoso; estranha "lenda de marinheiros" esta, a que exponho na obra O Cavaleiro da Ilha do Corvo, tão bem ornada de detalhes, nomes e datas.
Em 1529, Pedro da Fonseca, o donatário da ilha, foi ao Corvo e recolheu cópia em cera da legenda em caracteres não latinos. Será também o arquitecto Duarte Darmas uma ficção?
Opinião por opinião, leiam-se os argumentos arrolados pelo erudito açoriano António Ferreira Serpa, em favor da existência da Estátua corvina. O que resta do monumento, entretanto desfeito na sua desmontagem, são "a cabeça do cavaleiro, o braço direito do mesmo, que apontava para ocidente, uma perna, a cabeça do cavalo, uma mão que estava levantada e um pedaço de uma perna". Exigiria este espólio uma nau de grande porte?
E se Góis usa a primeira pessoa para asseverar "onde se puseram (os restos da estátua) eu não o pude saber", não será lícito entendê-lo como testemunho pessoal? Porque não se anotaram estes eventos na crónica dedicada a D. Manuel? Porque se trata de uma "cousa substancial" ocorrida no decurso do reinado de D. Afonso V, cujo escopo temporal o cronista integrou na Crónica do Príncipe Perfeito.
As nove moedas encontradas no Corvo não estão sozinhas: e o amuleto recolhido em S. Miguel, datado pela Sociedade Epigráfica Americana como oriundas de entre os séculos VII e IX da era cristã? E as inequívocas referências à função das "estátuas-marco" da historiografia árabe desde o século X? E o mapa dos Pizzigani com a explícita menção "estas são as estátuas diante das Antilhas..."? Conspiração de imaginativos? Enalteço a coragem do nosso grande humanista na salvaguarda das "cousas antigas", em "alumiar o descuido e esquecimento em que a antiguidade dos tempos as pôs".
Joaquim Fernandes
Porto
Sem comentários:
Enviar um comentário