Numa sociedade em que as famílias quase não têm tempo para a convivência, pelo menos aquela que seria muito conveniente a com os filhos, estão agora a tornar-se evidentes as consequências.
Temos que considerar que um jovem casal, que constitui a sua vida familiar e que tem a felicidade de encontrar emprego para os seus membros, tal significa que o seu dia a dia, especialmente nas zonas metropolitanas, iniciar-se-à bem cedo na manhã a deslocarem-se para os respectivos locais de trabalho, onde irão permanecer a maior parte do dia.
Ao final do dia, após a respectiva jornada no emprego ainda se apresenta pela frente a longa viagem de regresso que os trará de novo ao convívio no lar já no início da noite.
Dado que no dia seguinte a rotina repetir-se-à resta apenas aproveitar as poucas horas que sobram para algumas tarefas caseiras inadiáveis e o descanso preparatório para a próxima jornada.
Este panorama altera-se um pouco com o aparecimento dos filhos, aumentando-se a rotina com as entregas matinais nos infantários e similares e correspondente recolha vespertina.
Que tempo sobra nos dias úteis para o convívio e educação dos descendentes ?
Pouco ou nenhum, pois após a chegada a casa é hora da última higiene, jantar e dormir.
Será que o sábado, domingo, feriado conseguirão colmatar a falta dos dias úteis ?
Dificilmente e o resultado é que o filho fará honrosamente as seguintes licenciaturas inducacionais:
- a do infantário;
- a da pré-primária;
- a da primária;
- a do básico;
- a do secundário;
- a da universidade.
E digo fará, porque nada nos garante que consiga cumprir todo este panorama de instrução (inducação).
E aonde entra aqui a EDUCAÇÃO ?
A Educação como regras de convivência em sociedade não terá muitas oportunidades face ao panorama já descrito, daí que o jovem infante irá certamente desviar-se dessas regras que até não teve oportunidade de as receber e assimilar, irá certamente adoptar outras regras oportunísticas com as quais terá contacto.
Resultado: o delinquente de palmo e meio, exercendo essa actividade impunemente e com poucas hipóteses de recuperação porque o próprio sistema está esgotado em meios para absorver o elevado número de transgressores, e também esgotado na procura de soluções mais efectivas consentaneas com a evolução que a própria sociedade teve.
Os pais esses, infelizmente, já perderam a batalha há muito e já não são solução. E perderam uma batalha na necessidade de vencer uma outra guerra, diária, que lhes permite ter meios de subsistência para si e na melhor das hipóteses para os seus.
A agora "nova" ideia de colocar em casa, com uma pulseira electrónica, o jovem delinquente teria alguma hipótese ténue de funcionar se, e só se, os pais estivessem durante o dia em casa.
Ora, durante o dia, eles estão no emprego!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário