quarta-feira, 10 de junho de 2009

O País das Quintas

Existe um país, de muita fama e de progresso sinuoso, situado naquilo que se costuma apelidar de Mundo Ocidental, que quando da sua génese foi o resultado de Quintas.

Durante todo o seu secular percurso, e já vai por nove séculos, caminhando para o milénio, sempre viveu acompanhado deste síndroma.

O seu aparecimento, em plena época medieval, resulta de uma questão de quintas ou senhorios como na época se apelidavam.

Nessa época, basicamente a sociedade estava estratificada em três grandes grupos, a nobreza, o clero e a gleba. A nobreza vivia dos ideais de cavalaria, uma forma interessante de obter o necessário por ameaça da espada. O clero organizava-se de forma também interessante pois difundia a sua fé combatendo. A gleba tinha que trabalhar a terra e servir os senhores, que no caso eram os que se apelidavam de donos da terra fossem eles da nobreza ou do clero, mas que não trabalhavam a terra. Não era esse o seu estatuto.

A construção da pirâmide medieval, de uma forma resumida, é constituída pelos senhorios, que se juntam para uma interdefesa com o conjunto das suas forças, em relações horizontais de vizinhança, ou verticais de vassalagem, onde o menos potente ajuda e participa para o poder do mais potente obtendo em troca a garantia de protecção do mais potente e ajuda no caso de ser atacado por terceiros.

Portanto cada senhorio, face às suas capacidades próprias arranja o seu bando para a guerra e saque e cria ligações com outros para os mesmos fins e com direitos a percentagens dos saques.

Este sistema de pirâmide tem apenas um ponto que pode ser a sua fraqueza. É que sempre que o mais potente não satisfaça os anseios dos menores que o ajudam, corre o risco de ver o sistema desmoronar-se, uma vez que os senhorios menores irão tentar arranjar uma outra pirâmide que lhes seja mais vantajosa.

De uma forma simples e sem carácter de rigor científico mas factual é o que sucede na formação do país em questão.

Quando na pirâmide estabelecida no condado uma das partes dos senhorios, por acaso para norte do Rio Minho, começa a ser mais favorecida pelo topo da pirâmide, claro que a outra parte irá desagregar-se e criar a sua própria pirâmide.

Imaginem que essa outra parte de senhorios se situava a sul do Rio Minho até ao limite com a Mourama mais ou menos pelas margens do Mondego como zona raiana.

O resto da história são pormenores, alguns de saborosa literatura outros de crónica cor de rosa, que também já havia na altura (Será que o filho vai bater na mãe ?).

Em toda a sua vida jamais esse país deixou de sofrer desse síndroma.

Até nos dias de hoje, como iremos ver.

Sem comentários: