sábado, 28 de março de 2009

Logisticas do Magalhães

A revista Sábado na sua edição de 19 de Março publicava no seu editorial o seguinte texto que com a devida vénia transcrevemos:


Há Magalhães mas não há tomadas

O Governo está empenhado em distribuir computadores pelas escolas do País a um preço consideravelmente abaixo do preço de mercado. É louvável. Mas não é tudo.

Antes convém lembrar alguns detalhes seguramente insignificantes. Primeiro, a parte pedagógica. É claro que qualquer professor sabe utilizar um computador pessoal em casa: recorre ao Word, navega na Internet, até pode preparar apresentações. Mas daí a saber usar um computador para dar uma aula produtiva a alunos com outros computadores em cima das secretárias vai uma diferença grande.

Se o Governo quer distribuir Magalhães para os estudantes jogarem jogos, pode descarregá-los aos caixotes pelo País; se quer que as aulas melhorem, se modernizem e recorram à informática de forma eficaz, ajudava se envolvesse os professores, fizesse acções de formação a sério e lhes explicasse como tirar proveito pedagógico das novas tecnologias.

Depois , há a parte burocrática. Não adianta nada distribuir 10 computadores por escola, e deixar 90 alunos em lista de espera, só para se dizer que os Magalhães estão a chegar a todo o País. Ou os computadores vão sendo entregues escola a escola e os professores começam a utilizá-los à medida que a grande maioria dos alunos de cada turma os recebe, ou servem apenas para alimentar as acções de marketing do Governo.

Finalmente, resta a parte do simples bom senso. Oferecer Magalhães a estudantes que frequentam salas de aula onde não há mais do que uma tomada na parede é o mesmo que dar um vídeo a alguém que não tem televisão. E não se trata apenas de falta de tomadas. Trata-se de salas sem aquecimento, dentro das quais chove no Inverno e em que não se aguenta o calor no Verão. São escolas feitas de barracões, muitas das quais sem condições mínimas - mas onde todos os alunos vão ter um computador.

É o provincianismo no pior nível, a ausência de prioridades, o novo riquismo de quem nem sequer tem dinheiro. É a melhor maneira de matar uma medida que tinha tudo para resultar.

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