sábado, 17 de janeiro de 2009

Portugal e o MAR

Pelo seu elevado interesse e potencial, para um País à beira mar plantado, transcreve-se a seguir um texto publicado no jornal "Público" em 11 de Janeiro de 2009:


Carta aberta

A MAIS URGENTE OBRA PÚBLICA: EXPORTAR MAR

Joaquim Ferreira da Silva*

O Presidente da República sublinhou na sua mensagem de Ano Novo que Portugal terá, no aumento das exportações, um dos trunfos para vencer a grave crise económica que se está a abater sobre todos nós. Sabemos que nos endividamos cada vez mais no estrangeiro, ao exportar cada vez menos do que se importa.

Será nas actividades do Mar que o nosso Pais poderá, em pouco tempo, se lançarmos mãos à obra, encontrar as riquezas para exportar que nos salvem dum naufrágio.

O mar está à porta dos portugueses. As actividades a ele inerentes podem minguar, crescer, paralisar, reduzir-se ou imobilizar-se, mas o Mar está e estará sempre no mesmo local.

Não se desmonta, não vai à falência, não se embala e transfere para países do terceiro mundo, não parte à procura de mão-de-obra barata; está lá sempre à nossa espera, a aguardar que lhe captem as suas potencialidades.

O País encontra-se sobre um precipício e nele cairá se não ampliar rapidamente as suas exportações. E essa ampliação só será alcançada se os estrangeiros as quiserem comprar.

E só compram aquilo que não tiverem melhor e mais barato. E o que fazer para tal objectivo?

Investir nas actividades e produtos inerentes ao Mar onde seja urgente, a saber:

- O Turismo - O turismo de qualidade, de apetência, de satisfação e prazer. No lazer, no entretenimento, no ambiente da natureza, nos desportos náuticos, enfim na valorização e desenvolvimento harmonizado e sustentado de todas as estruturas que na beira mar e na orla costeira podem atrair os visitantes e deixar neles o gosto de voltar.

- Os Portos - Os nossos seis portos principais devem ser adaptados, equipados e preparados para as actividades da nova geração dos grandes navios. Rentabilizados na mobilidade das mercadorias e dos turistas que por eles passem ou que possam ser transferidas para portos estrangeiros (exportadas) restaurando e modernizando as degradadas estruturas e vias de comunicação. Ampliados nas suas ofertas de docas e marinas de recreio.

- As Pescas - As pescas podem e devem, dentro dos condicionamentos da União Europeia (UE), orientar-se para as espécies de maior valor rentabilizando todos os seus produtos na maior aplicação possível ao acondicionamento (conservas e outros em imagens atractivas) para exportação. Modernizar as suas frotas. Valorizar as suas tripulações. Minimizar os desperdícios. Aperfeiçoar a manutenção, conservação e reparação das unidades e das artes.

- Os Estaleiros - Os estaleiros quer de construção quer de reparação naval devem ser ampliados e equipados de modo a construir rapidamente unidades modernas e competitivas para o comércio marítimo, para as pescas e para o recreio. Com especial incidência na procura dos mercados dos países da CPLP. Exportar um navio equilibra tanto a balança de pagamentos como exportar 10.000 carros.

- As Investigações e Conhecimento Científico das Ciências do Mar - As Ciências dos MAR e os organismos que as dinamizam devem receber melhores meios humanos de investigação e ensino, melhores equipamentos laboratoriais e ficar mais facilitados a todos os elementos estrangeiros que os desejarem frequentar de modo a se alcançarem nas suas instalações os mais actualizados estudos e investigações nas Ciências Marinhas.

- As Riquezas dos Fundos Marinhos - A actividades de pesquisa aos fundos do mar devem incidir num rápido planeamento das riquezas minerais nele existentes; nas riquezas arqueológicas e na capacidade das actividades subaquáticas desde as cientificas até às de cinema e vídeo.

Para levar à prática a execução de todas as actividades, acima referenciadas, deve ser instituída UM LISTAGEM urgente das mesmas (quer públicas quer privadas) e constituído um Fundo de pelo menos 20 mil milhões de Euros que seriam atribuídos de acordo com a ordem prioritária da referida lista das obras públicas rentáveis e de garantia sustentável futura aos empregos a criar.

De imediato os projectos do TGV, do novo aeroporto de Lisboa, da 3º travessia do Tejo, e das auto-estradas planeadas, para menos de 100 quilómetros das existentes, seriam colocados no final da referida listagem.

Se conhecerem outro projecto para melhor e mais rapidamente reduzir o tremendo défice comercial que nos vai afogar a todos apresentem-no. Está nas vossas mãos.

* Capitão da Marinha Mercante

Membro da Secção Transportes de Sociedade de Geografia

Membro da Academia de Marinha

Presidente da Fundacion TECNOSUB-Tarragona

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