quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Al-munákh

Num bom fim de tarde, mesmo que não tenhamos a felicidade de estar num deserto mas podemos substituir pela calma planície alentejana, façamos um "al-munákh".

Normalmente nestas ocasiões cria-se um bom ambiente para que as conversas se desfiem, sem nenhuma linha definida podendo passar de um comentário a um acontecimento do dia a uma história contada como uma lenda.

Uma lenda como a da criação do CAVALO por Alá, que segundo consta criou tal animal tomando uma mão cheia de El Marees (vento sul) bafejando-a.

"Eu criei-te para que sejas único.
Terás o olhar da águia, a coragem do leão e a velocidade da pantera.

Do elefante dou-te a memória, do tigre a força, da gazela a elegância.

Os teus cascos terão a dureza do sílex e o teu pêlo a maciez da plumagem da
pomba.

Irás saltar mais do que o gamo, e terás do lobo o faro.
Serão teus à noite os olhos do leopardo, e orientar-te-às como o falcão, que
regressa sempre a casa.

Serás incansável como o camelo, e fiel como o cão !

E para sempre te dou a beleza da rainha e a majestade do rei.

Hossane, que a doçura da vitória repouse sobre os teus olhos. Que carregues
no teu dorso tesouros. Que a tua sela seja o meu templo.

Que voes sem possuir asas e conquistes sem o uso de nenhuma espada."

E com o sentimento desta lenda o fim da tarde fez-se noite.

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