sábado, 12 de fevereiro de 2011

Balsa - Metrópole Romana do Algarve

Com a devida vénia transcreve-se o texto a seguir dado à estampa no jornal "BARLAVENTO" em 12 de Fevereiro de 2011:

Antiga metrópole romana espera por museu para se mostrar ao público


filipe antunes


Uma década de investigação sobre Balsa deu a Luís Fraga ambição para criar um centro interpretativo. Enquanto aguarda «vontade política», conteúdos recheiam biblioteca digital.

A associação Campo Arqueológico de Tavira (CAT) diz ter um conjunto extenso de materiais sobre a cidade de Balsa prontos a publicar e garante que a documentação por si produzida, nos últimos 10 anos, é já suficiente para fundar um centro interpretativo sobre a herança daquele período do Algarve romano.

Para tal, muito têm contribuído as sondagens e trabalho de investigação desenvolvido pelo geógrafo e investigador do Algarve Romano Luís Fraga da Silva, autor do livro «Balsa, Cidade Perdida».

Numa homenagem ao local, a obra descreve o papel desta grande cidade que existiu nas margens da Ria Formosa, perto de Tavira, e chegou a ser a mais importante do Algarve, com 45 hectares, o que a tornava, à data (século II), maior que Faro (Ossonoba) e Lisboa (Olissipo).

É tendo em conta esta grandeza que o também membro do CAT continua a lamentar o desinteresse das autoridades com responsabilidades na área do património, visto que apenas uma pequena extensão do núcleo arqueológico está protegida.

Ao mesmo tempo, aponta o dedo àquilo que considera «o silêncio secular da Câmara de Tavira sobre a velha cidade» e a sua «incapacidade de a integrar nos dispositivos municipais de promoção cultural e preservação patrimonial».

É, aliás, para evitar esse «esquecimento» que Luís Fraga mantém ativos dois sítios online, um deles exclusivamente dedicado a Balsa, com dezenas de referências e conclusões sobre a investigação por si levada a cabo na última década.

Com uma extensa cartografia, textos históricos e até módulos de uma exposição patente na «Casa André Pilarte», em 2008, o investigador conseguiu já criar um museu online gratuito, pronto a evoluir para um centro interpretativo.

«O CAT já provou que o consegue, através de uma exposição de teste, que não chegou a custar cinco mil euros e pode ou não ser integrada num eventual núcleo romano do Museu de Tavira. É claro que podemos partir para meios de representação 3D mais caros, mas tudo se resume a uma questão de vontade política, uma vez que os conteúdos históricos e arqueológico estão prontos e não precisam de estruturas complexas», nota Fraga da Silva.

E há interesse por parte da população em saber mais? Segundo Fraga, a resposta é «sim», e lança como exemplo uma mostra do CAT realizada durante a feira de Santa Luzia (freguesia nas imediações de Balsa), onde «quase todos os habitantes mostraram ter histórias sobre achados não oficiais em Balsa».

A questão volta a estar na ordem do dia agora que o Museu Municipal de Tavira se prepara para inaugurar, na Páscoa, o seu Núcleo Islâmico, ao qual se seguirá a musealização de uma muralha fenícia.

Em declarações ao «barlavento», fonte do Gabinete de Apoio à Presidência explicou que o assunto de Balsa «não está esquecido», apesar de «terem sido definidas prioridades».

Segundo a mesma fonte, qualquer musealização que venha a ser feita sobre Balsa ou do período romano da cidade «deverá ser constituída em paralelo com o museu municipal, de forma a estruturar a promoção cultural e histórica da cidade».

Apesar de concordar com este modelo integrado, para Luís Fraga o que mais importa é voltar a chamar a atenção para a importância de Balsa, «que continua ameaçada por apetites imobiliários» e «não pode continuar a ser circunscrita à Torre de Aires».

«A zona da Torre de Aires é um dos maus exemplos de conservação, pois uma parte da quinta foi arrasada a bulldozer», frisa o geógrafo histórico, que continua a alertar para a necessidade de integrar Balsa numa zona de proteção mais extensa.

«À exceção de uma pequena faixa, a maior parte dos vestígios arqueológicos estão em terrenos privados, sem qualquer proteção legal», diz.

De acordo com o membro da direcção do CAT, um quinto da cidade romana ainda está «enterrada e intacta», como é o caso da zona das Antas.

12 de Fevereiro de 2011 09:41
filipe antunes



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