sábado, 4 de abril de 2009

Declaração de desinteresses

Com a devida vénia transcreve-se o texto da autoria de Alberto Gonçalves na revista Sábado de 2 de Abril:

Declaração de desinteresses

Através do seu advogado, o eng. Sócrates jurou processar por difamação quatro quintos dos media que o rodeiam. E acrescentou: logo que acabe a investigação ao caso Freeport.

Noutras circunstâncias, perguntaria: qual investigação? Nestas, pergunto: qual caso Freeport? Que eu saiba não existe caso nenhum, mas uma "campanha negra" concebida por almas vis a fim de sujar a honra de Sua Excelência, o primeiro ministro de Portugal. O que aquela baixa gente não sonha é que há honras que, como a roupa sujeita a Presto, são à prova de sujidade. A de Sua Excelência é uma delas, para felicidade dos portugueses que não fazem da ingratidão modo de vida.

Modestamente, incluo-me nesse grupo. E não, não é o receio de represálias que me move: é o orgulho. Querem que imite os alcoólicos anónimos ? Eu imito: chamo-me Alberto e tenho orgulho no eng. Sócrates. O único problema é que a palavra não exprime metade das emoções que Sua Excelência me suscita. "Devoção" seria mais adequado.

Ainda assim, não chega para definir o que sinto quando Sua Excelência salva empresas que a economia decreta falidas, ou excomunga o "liberalismo selvagem" em que os mortais nunca repararam, ou aplica o intervencionismo estatal que os livros garantem desastroso, ou reivindica a modernização de um país que o país imagina afundar-se a ritmo acelerado, ou, sobretudo, afirma a verticalidade de uma carreira que aos pobres de espírito parece uma sucessão de trapalhadas.

O líder competente vê além das aparências. O Líder excelso, por sorte o nosso, vê além dos factos.

Eis porque desperta a inveja do mundo em geral e da imprensa em particular, os quais Sua Excelência arrasará legitimamente em tribunal.

Note, porém, que na SÁBADO tem uma página dedicada a louvá-lo, e no seu autor um criado e, se necessário, uma desinteressada testemunha de acusação.

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