Do jornal "BARLAVENTO" e com a devida vénia transcrevemos a seguinte notícia:
Primeiro navio do Museu Subaquático de Portimão vai ao fundo este ano
Navio ocenográfico Almeida Carvalho será uma das embarcações da marinha a ser afundadas
O Museu Subaquático de Portimão deverá começar a ganhar forma este ano, quando for afundado ao largo de Alvor, o primeiro navio de guerra da Armada Portuguesa, de um total de quatro.
A Câmara de Portimão e a empresa privada Subnauta (centro de mergulho na Praia da Rocha) estão a criar a associação Submar, «estando já a ser articulado com o Ministério da Defesa a hipótese do primeiro navio ser desmantelado nos estaleiros de Portimão, numa iniciativa que criará postos de trabalho na cidade», adiantou ao «barlavento» Luís Carito, vice-presidente da Câmara local.
Os quatro antigos navios da Armada, que serão afundados – o navio oceanográfico «Almeida Carvalho», a fragata «Hermenegildo Capelo», a corveta «Oliveira do Carmo» e o navio-patrulha «Zambeze» - estão desativados e foram cedidos à autarquia a custo zero. A parceria teve que ser feita, pois o privado não poderia ter recebido estas embarcações.
«Ao fim de quatro anos de luta, o projeto está lançado e tudo indica que este verão já teremos o primeiro navio no fundo», afirmou em declarações ao «barlavento» Pedro Caleja, dive master e arqueólogo subaquático da Subnauta.
O passo seguinte, antes de afundar os navios, é «limpá-los de todos os materiais contaminantes, como os amiantos, para que não constituam qualquer ameaça ao ambiente», explicou Pedro Caleja.
E, para assegurar que esta meta é cumprida, foram desenvolvidos e apresentados às entidades competentes, segundo o arqueólogo subaquático, vários estudos de impacte ambiental, de biologia marinha (para saber que tipo de espécies povoam as áreas e qual será o impacto do projeto), bem como prospeções arqueológicas (para garantir que o afundamento não ia prejudicar possíveis vestígios).
As embarcações serão afundadas a cerca de 30 metros de profundidade ao largo de Alvor, pois é necessário deixar pelo menos 15 metros entre o ponto mais alto do navio e a superfície para não causar impedimentos à circulação marítima.
«Não será difícil mergulhar nestes navios, mas será mais fácil se o mergulho for acompanhado por guias. No entanto, será acessível a quem tem curso de mergulho até 30 metros de profundidade», disse o mergulhador da Subnauta.
O maior navio tem 102 metros de comprimento e o mais pequeno 44 metros e as superestruturas estarão, à partida, acessíveis aos mergulhadores (Open Waters).
O acesso será público a quem cumpre as regras, estando a ser elaborado um regulamento.
O projeto, que implica um forte investimento, vai permitir colocar o Algarve no circuito de mergulho, aproveitando «o bom clima, as boas águas com muitas espécies de fauna», o facto de ser um destino barato e familiar, afirmou ainda Pedro Caleja.
Por outro lado, a Museu terá como vantagens trazer pessoas à região algarvia fora da época alta, dinamizando a hotelaria, a economia local e os concelhos periféricos.
As expetativas, para Luís Carito, são altas, pois se a situação no Norte de África se mantiver, «há vinte mil turistas de mergulho que não sabem para onde podem ir e estas são pessoas com capacidade económica.
27 de Março de 2011 02:20
ana sofia varela
Sem comentários:
Enviar um comentário