Os Oceanos continuam a ser o futuro da humanidade tal como o foram há mais de quinhentos anos, quase seiscentos, para Portugal e para o Algarve, sendo de assinalar que a Universidade do Algarve esteja na primeira linha.
Universidade do Algarve lidera projecto criação de rede sem fios para comunicar debaixo de água
A criação de uma rede sem fios para comunicar através do som debaixo de água é o objectivo de um projecto que está a ser desenvolvido por vários países europeus, liderado pela Universidade do Algarve (UAlg).O projecto Underwater Acoustic Network (UAN) visa colocar a rede ao serviço da segurança subaquática de estruturas como plataformas petrolíferas ou instalações de geração de energias renováveis, vulneráveis a diversas ameaças.
Os cinco pontos da rede vão cobrir um perímetro de 100 quilómetros quadrados e permitirão a troca de mensagens entre si através de uma espécie de e-mail, enviando texto e imagens usando ondas sonoras, que se propagam facilmente debaixo de água.
O Laboratório de Processamento de Sinais (SiPLAB) da UAlg é o organismo que lidera o grupo de seis parceiros que participam no projecto e que inclui cinco centros de investigação e empresas da Itália, Noruega e Suécia.
Segundo Sérgio Jesus, coordenador do SiPLAB e do projecto UAN, o conceito chave do projecto é a "mobilidade" e uma rede de comunicação "wireless" subaquática tem grandes vantagens, sobretudo quando aplicada ao serviço da segurança em meio aquático.
Composta por cinco nós - dois móveis, dois fixos e uma estação de base que assumirá o papel de cérebro de toda a operação -, a UAN terá capacidade para cobrir de forma dinâmica um perímetro subaquático de 100 quilómetros quadrados. Todos os nós da rede estarão equipados com vários sensores, necessários para detectar potenciais ameaças a estruturas estratégicas como plataformas petrolíferas ou instalações de geração de energia, tanto em alto mar como em zonas costeiras.
Os diversos sensores captarão informação sobre a temperatura da água, a velocidade das correntes ou a oscilação da coluna de água, monitorizando a todo o tempo o perímetro que defendem. "Os dois nós móveis, ou veículos autónomos subaquáticos, serão cruciais no processo de recolha de informação, uma vez que podem ser destacados para ir a determinada localização", explica Sérgio Jesus.
A controlar as operações estará uma cadeia de sensores, a estação-base, ou seja, uma antena com 60 metros de altura constituída por uma base, uma unidade de telemetria, um "modem" e vários sensores ao longo de um cabo que termina num flutuador abaixo da superfície. Além dos dois veículos autónomos e da estação-base, farão parte desta rede outros dois nós fixos que participam na recolha de informação ambiental estratégica para o processo de vigilância e detecção.
Iniciada em Outubro de 2008, a UAN terá de esperar até Setembro de 2010 para ser testada pela primeira vez em águas italianas, numa operação em que vão participar todos os parceiros do consórcio europeu coordenado pelo SiPLAB.
Em 2011 terá lugar o teste final, na Noruega, sendo que já em Março de 2010 serão efectuados, ao largo de Vilamoura, testes preliminares à estação-base que está a ser desenvolvida na UAlg.
22 de Maio de 2009 07:43lusa
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