quarta-feira, 20 de novembro de 2013
As Procissões em Olhão
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Ano Novo 2010
No tempo em que não havia cursos superiores a fornecer títulos aos "mensageiros" da Comunicação Social, os verdadeiros profissionais eram conhecidos pelo nome e respeitados pelos seus trabalhos e valor da sua carreira feita pela tarimba profissional acrescida do brio que o próprio imprimia.
Hoje são todos doutores em ...., mas as calinadas na língua pátria são de nível infantil e primário, acompanhadas da quase total ausência de conhecimentos de cultura e complementados por não conseguirem usar o mais elementar bom senso a nível matemático.
Tudo isto vem a propósito, no dia em que se inicia o DÉCIMO ano da PRIMEIRA década do século XXI no TERCEIRO milénio da contagem após Cristo.
É que toda a gente quer fazer a súmula da primeira década do século, como se a mesma já tivesse terminado e que hoje se iniciasse a segunda.
Quando a santa ignorância se manifesta até pela simples contagem!!!!
Estamos de novo com a questão que há dez anos invadiu a sociedade acerca do final do século e milénio.
Vamos lá mais uma vez relembrar:
O SEGUNDO milénio e igualmente o século XX tiveram o seu términus às 2400 horas do dia 31 de Dezembro do ano 2000.
O TERCEIRO milénio e igualmente o século XXI tiveram o seu início às 0000 horas do dia 1 de Janeiro do ano 2001.
A PRIMEIRA década do século XXI teve o seu início às 0000 horas do dia 1 de Janeiro do ano 2001 e irá ter o seu final às 2400 horas do dia 31 de Dezembro de 2010.
A propósito, na língua portuguesa, a palavra DÉCADA significa um período de DEZ ANOS!
(2001,2002,2003,2004,2005,2006,2007,2008,2009,2010)
Que tenhamos um BOM ANO de 2010 e terminemos a PRIMEIRA DÉCADA da melhor forma possível!!!
sábado, 12 de setembro de 2009
11 de Setembro de 2009
Nos dias de hoje , se calhar a situação não teria sido muito diversa, pois não creio que pudesse ser bem visto pela nomenklatura actual. E também creio que ele próprio se sentiria numa situação similar à que infelizmente viveu.
Por estes e outros motivos não se pode deixar de citar aqui, um poema de sua autoria, que foi alvo de publicação no blog De Rerum Natura, do qual com a devida vénia o reproduzimos com todas as referências e citações:
O poema tem por título: A PORTUGAL
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
.
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.
.
Araraquara, 6/12/1961,do Capítulo "Tempo de Peregrinatio ad loca infecta" (1959-1969) do livro "40 Anos de Servidão", 2ª edição revista, Círculo de Poesia da Moraes Editores, 1982Jorge de Sena
domingo, 30 de agosto de 2009
A Comunicação Social do Século XXI, os Árabes e o Astrolábio
Se adicionarmos a isto uma pressão economicista que leva a que os meios de Comunicação Social funcionem na regra de quanto mais barato melhor, não podemos esperar grande qualidade do serviço, desempenhado pelos menos aptos e preparados mas que por necessidade se sujeitam a todos os dislates de concorrência economicista.
Acresce a tudo isto o nível de preparação à saída dos estudos superiores destes novos profissionais que deixam muito a desejar não tanto por culpa dos últimos ensinamentos para a profissão mas porque a preparação anterior, a dita de base, é tudo menos suficiente!
No entanto, quando nos referimos a um jornal semanário, em que a maioria dos textos são elaborados com alguma antecedência e que não sofrem propriamente das situações do imediatismo, seria de esperar algum cuidado com algumas afirmações que se fazem ao longo do texto.
E até porque hoje dispõem-se de ferramentas tremendas para rapidamente confirmar determinadas presunções.
Vem tudo isto a propósito de um texto vindo a lume no EXPRESSO, semanário cujos créditos firmados levam o leitor a exigir que textos de comentário ou opinião sejam sérios e não escritos ao sabor do momento.
Comentava o texto uma posição acerca das consequências do cumprimento das regras religiosas, no caso o Ramadão, originavam no desempenho de profissionais do desporto e a partir de certo momento partia para uma defesa super-elogiosa da civilização árabe.
E em determinado momento afirmava a articulista que o Ocidente e os Descobrimentos Portugueses deviam aos árabes a "invenção" ou "descoberta" do ASTROLÁBIO.
Se em alguma coisa somos devedores a essa civilização não é pela invenção ou descoberta do astrolábio mas o facto de a ter transmitido desde a civilização que o inventou até aos homens do final da idade média que tiveram que lidar com o assunto.
É que o tal célebre instrumento, que vai ser desenvolvido para o uso na náutica portuguesa, só por um puro acaso foi inicialmente desenvolvido pela Hipátia (ou Hipácia) de Alexandria (em grego: Υπατία), matemática e filósofa neoplatônica, nascida aproximadamente em 370 e assassinada em 415.
Ou seja estamos a falar da célebre Academia de Alexandria o que é relativamente anterior ao que se viria a chamar civilização árabe.
Era de esperar um pouco mais de rigor aos escribas do EXPRESSO especialmente em textos de comentário ou de opinião que não estão tão condicionados pelo tempo.
domingo, 5 de julho de 2009
Matemática: Primos
Nuno Crato
9:00 Domingo, 5 de Jul de 2009Conhecemo-los da escola: dizem-se primos os números inteiros maiores que a unidade e que apenas são divisíveis por si próprios e por 1 - 2, 3, 5 e 7 são primos, enquanto 4, 6 e 8 não o são. Dizem-se primos, não por nenhum parentesco especial mas sim por serem primordiais, por serem os tijolos a partir dos quais se constroem todos os outros números. O teorema fundamental da aritmética diz precisamente que todos os inteiros são decomponíveis de maneira única, aparte a ordem, no produto de primos. O número 12, por exemplo, é o resultado do produto de 2 por 2 e por 3, e não há nenhuma outra colecção de primos capaz de o obter.
Sendo tão elementares que recebem esse curioso nome, pensar-se-ia que os números primos são triviais para os matemáticos, e que estes andariam à procura de segredos em matérias mais complexas. Na realidade, os primos têm-nos intrigado durante séculos e continuam a ser objecto de investigação.
Três séculos antes de Cristo já se sabia da existência de um número infinito de primos. Euclides apresentou nos seus "Elementos" uma demonstração simples e brilhante. Em três linhas mostra que, qualquer que seja a lista de primos que se obtenha, é sempre possível construir um outro: basta fazer o produto de todos os números da lista e somar-lhe 1 - o número que resulta é primo e não estava na lista inicial.
Sabe-se pois que há um número infinito de primos, mas, curiosamente, não se lhes conhece nenhuma fórmula geradora. Distribuem-se aleatoriamente entre os números inteiros, mas fazem-no de forma muito regular. À medida que progredimos na contagem, a sua percentagem entre os inteiros reduz-se de acordo com uma lei simples. Quando procuramos perto do número dez mil, por exemplo, aproximadamente um em cada nove números é primo. Mas quando estamos perto mil milhões, apenas um em cada 21 números o é.
O estudo estatístico dos primos tem-se desenvolvido nas últimas décadas, mercê de meios computacionais cada vez mais eficientes. Sabe-se, por exemplo, que os primeiros dígitos significativos dos primos se distribuem uniformemente. Assim, há aproximadamente tantos primos começados com o dígito 1, como começados com o dígito 2, como 3, e assim sucessivamente até se chegar a 9 (o dígito zero nunca pode ser primeiro significativo).
Há poucos dias, dois matemáticos espanhóis acabaram de descobrir outro facto surpreendente. Se é verdade que os primeiros dígitos significativos dos primos têm todos igual probabilidade, o mesmo não se passa para sequências finitas. Se pegarmos nos primeiros mil primos, por exemplo, encontramos 149 começando com o dígito 1 e apenas 15 começando com o 9. É uma distribuição semelhante à da chamada lei de Benford, que tem sido encontrada em muitos exemplos reais, tais como a contabilidade de empresas, os números de porta de rua e os índices de preços.
Os matemáticos Bartolo Luque e Lucas Lacasa, da Universidade Politécnica de Madrid, num artigo publicado na revista "Proceedings of the Royal Society A" (DOI: 10.1098/rspa.2009.0126), mostram que uma lei de Benford generalizada, que se aproxima da uniforme à medida que o número de casos aumenta, se ajusta bastante bem aos primos conhecidos. É uma lei descoberta por físicos, no decorrer do estudo de processos naturais aleatórios. Reaparece agora no estudo de um tema de matemática pura. O grande mistério do mundo é o da unidade da matemática.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Ano 2009 Inicia com Pérolas da Comunicação Social
Vejamos o caso do "SOL", na sua revista "TABU", do passado dia 3 de Janeiro.
Num artigo escrito com tempo e calma, por não ser de um tema de última hora, sob o tema Saúde e referido ao HOSPITAL DE S. JOSÉ, sob a pena de GRAÇA ROSENDO e acompanhado de fotos de Helena Garcia, a páginas 45 pode-se ler:
Cinco séculos de História
No início era o "banco das águas"
.......
A obra completa, porém, já não a viu D. João II. Só no reinado do SEU FILHO, D. MANUEL I, é que o "hospital dos pobres", como lhe chamava o povo, abriu as portas.
.......
Bem poderá a douta equipa pedagógica do Ministério da Educação mandar reescrever os manuais de História Pátria, que erroneamente não afirmam tal vínculo filial entre os dois reis da nossa segunda dinastia.
Havia realmente um vínculo de familia entre D. João II e D. Manuel I, mas não era o de pai e filho, mas sim o de CUNHADOS!!!!
D. João II era casado com uma irmã de D. Manuel I e à hora do falecimento por não ter filho herdeiro, entretanto já falecido, é o próprio D. João II que designa o seu cunhado, D. Manuel I, como seu sucessor.
Não sendo os textos referidos notícias de última hora, mas sim um trabalho feito com tempo para ser publicado quando houver espaço disponível, é lamentável a falta de referenciação histórica dos textos.
No entanto, é de louvar que a autora em termos de cultura geral saiba que D. Manuel I sucedeu a D. João II.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Cultura Portuguesa
Tal não podia falhar no texto publicado no PÚBLICO no passado dia 31 de Agosto de 2008, que a seguir se transcreve:
Adeus a LucianaEduardo Lourenço - 20080831
É grato devolver à grande lusitanista a dádiva da sua companhia e da sua erudição sem falhaHá professores que são ao mesmo tempo autênticos actores. Luciana Stegagno Picchio, musa cultural dos dois mundos que dividem a nossa língua, pertencia a essa raça. As suas intervenções nos múltiplos colóquios dos dois lados do Atlântico eram sempre um espectáculo de saber, de graça e de elegância. Partilhava esse talento com a amiga Cleonice Berardinelli, sapiente como ela, menos exuberante. À professora Luciana deve o Brasil uma já clássica História da Literatura, em tudo digna da grande filóloga e crítica literária que era. Quanto a Portugal, deve-lhe uma História do nosso teatro a todos os títulos comparável aos seus estudos dedicados ao Brasil.
Para muitos de nós, Luciana impôs-se-nos como uma das primeiras estudiosas estrangeiras de Pessoa, num momento em que o fenómeno heteronímico era ainda objecto de polémica, discussão e fascínio. Distanciada das nossas querelas domésticas, a grande filóloga italiana pôde abordar a questão com mais frieza e humor. É um dos estudos mais pertinentes que o Pessoa de há meio século mereceu. Mais tarde, um pequeno estudo sobre o mesmo Pessoa, de parceria com Roman Jakobson, deu-lhe uma notoriedade internacional. Antonio Tabucchi, seu estudante, compartilhou com ela a paixão por Pessoa, a quem dedicou, em italiano, uma antologia até hoje não superada. E com essa paixão uma intimidade cultural com as coisas portuguesas que marcará para sempre a sua original obra de ficcionista.
Grande conhecedora da literatura italiana, naturalmente, algumas vezes Luciana lamentou não ter dedicado aos seus autores famosos, de Dante a Leopardi ou de Pasolini a Primo Levi a paciente atenção que consagrou aos Gil Vicente, aos Camões ou aos Murilo Mendes e à língua portuguesa que ilustraram. O interesse pelas culturas alheias é sempre uma forma de exílio. Penso que o seu foi exaltante. O Brasil, mais ainda do que Portugal, foi, em sentido literal, um novo mundo para ela. Um novo mundo que a adoptou como criadora sua, e de algum modo a integrou na sua fabulosa cultura de matriz europeia e emigrante. Isso a compensou e consolou de não ter dado à pátria de Dante, que seu pai lhe ensinara a recitar na adolescência, aquele fervor que durante anos, num magistério frutuoso, iria reservar para uma outra língua. A nossa, como a sua, filha do Lácio.
Em tempos era corrente queixarmo-nos da imaginária falta de atenção dos outros pela realidade e excelência das nossas criações. O que devia espantar-nos é a extraordinária atenção que a nossa cultura mereceu a tanto estrangeiro que tantas vezes nos descobriu, estudou e nos revelou a nós mesmos. Luciana Stegagno Picchio pertence a esses peregrinos que, com saber e alegria, se perderam nos labirintos culturais de um país europeu que há um milénio partilha com culturas tão ricas e brilhantes como a da pátria de Luciana os mesmos sonhos. Na hora de os abandonar a um outro destino, é grato devolver a Luciana a companhia, a presença da sua erudição sem falha, nunca austera, secretamente divertida, com que ao longo dos anos percorreu e iluminou alguns dos mais obscuros rincões da nossa Cultura.
Vilamoura, 29 de Agosto de 2008