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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo 2010

Como seria expectável neste nosso actual momento de desenvolvimento educacional e cultural que o País vive, se calhar graças às estatísticas, os índices revelaram-se de novo nas afirmações dos "mensageiros" da Comunicação Social, onde cada vez se torna mais difícil dizer que tanta ignorância e analfabetismo seja apenas um acaso.

No tempo em que não havia cursos superiores a fornecer títulos aos "mensageiros" da Comunicação Social, os verdadeiros profissionais eram conhecidos pelo nome e respeitados pelos seus trabalhos e valor da sua carreira feita pela tarimba profissional acrescida do brio que o próprio imprimia.

Hoje são todos doutores em ...., mas as calinadas na língua pátria são de nível infantil e primário, acompanhadas da quase total ausência de conhecimentos de cultura e complementados por não conseguirem usar o mais elementar bom senso a nível matemático.

Tudo isto vem a propósito, no dia em que se inicia o DÉCIMO ano da PRIMEIRA década do século XXI no TERCEIRO milénio da contagem após Cristo.

É que toda a gente quer fazer a súmula da primeira década do século, como se a mesma já tivesse terminado e que hoje se iniciasse a segunda.

Quando a santa ignorância se manifesta até pela simples contagem!!!!

Estamos de novo com a questão que há dez anos invadiu a sociedade acerca do final do século e milénio.

Vamos lá mais uma vez relembrar:

O SEGUNDO milénio e igualmente o século XX tiveram o seu términus às 2400 horas do dia 31 de Dezembro do ano 2000.

O TERCEIRO milénio e igualmente o século XXI tiveram o seu início às 0000 horas do dia 1 de Janeiro do ano 2001.

A PRIMEIRA década do século XXI teve o seu início às 0000 horas do dia 1 de Janeiro do ano 2001 e irá ter o seu final às 2400 horas do dia 31 de Dezembro de 2010.

A propósito, na língua portuguesa, a palavra DÉCADA significa um período de DEZ ANOS!
(2001,2002,2003,2004,2005,2006,2007,2008,2009,2010)

Que tenhamos um BOM ANO de 2010 e terminemos a PRIMEIRA DÉCADA da melhor forma possível!!!

domingo, 30 de agosto de 2009

A Comunicação Social do Século XXI, os Árabes e o Astrolábio

Todos nós sabemos que a Comunicação Social no Século XXI, na sua ânsia de dar novas ao segundo rege-se por regras muito simplificadoras de forma a não se perder muito tempo em dar a notícia tal a pressão de imediatismo em que se vive.

Se adicionarmos a isto uma pressão economicista que leva a que os meios de Comunicação Social funcionem na regra de quanto mais barato melhor, não podemos esperar grande qualidade do serviço, desempenhado pelos menos aptos e preparados mas que por necessidade se sujeitam a todos os dislates de concorrência economicista.

Acresce a tudo isto o nível de preparação à saída dos estudos superiores destes novos profissionais que deixam muito a desejar não tanto por culpa dos últimos ensinamentos para a profissão mas porque a preparação anterior, a dita de base, é tudo menos suficiente!

No entanto, quando nos referimos a um jornal semanário, em que a maioria dos textos são elaborados com alguma antecedência e que não sofrem propriamente das situações do imediatismo, seria de esperar algum cuidado com algumas afirmações que se fazem ao longo do texto.

E até porque hoje dispõem-se de ferramentas tremendas para rapidamente confirmar determinadas presunções.

Vem tudo isto a propósito de um texto vindo a lume no EXPRESSO, semanário cujos créditos firmados levam o leitor a exigir que textos de comentário ou opinião sejam sérios e não escritos ao sabor do momento.

Comentava o texto uma posição acerca das consequências do cumprimento das regras religiosas, no caso o Ramadão, originavam no desempenho de profissionais do desporto e a partir de certo momento partia para uma defesa super-elogiosa da civilização árabe.

E em determinado momento afirmava a articulista que o Ocidente e os Descobrimentos Portugueses deviam aos árabes a "invenção" ou "descoberta" do ASTROLÁBIO.

Se em alguma coisa somos devedores a essa civilização não é pela invenção ou descoberta do astrolábio mas o facto de a ter transmitido desde a civilização que o inventou até aos homens do final da idade média que tiveram que lidar com o assunto.

É que o tal célebre instrumento, que vai ser desenvolvido para o uso na náutica portuguesa, só por um puro acaso foi inicialmente desenvolvido pela Hipátia (ou Hipácia) de Alexandria (em grego: Υπατία), matemática e filósofa neoplatônica, nascida aproximadamente em 370 e assassinada em 415.

Ou seja estamos a falar da célebre Academia de Alexandria o que é relativamente anterior ao que se viria a chamar civilização árabe.

Era de esperar um pouco mais de rigor aos escribas do EXPRESSO especialmente em textos de comentário ou de opinião que não estão tão condicionados pelo tempo.