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Galp contesta "enorme diferença de preços" entre Portugal e Espanha
por Agência Lusa, Publicado em 16 de Janeiro de 2010 Actualizado há 24 minutos
A Galp Energia contestou hoje a ideia de que exista "uma enorme diferença de preços" entre os combustíveis vendidos em Portugal e em Espanha, considerando que antes de impostos a gasolina nas bombas portuguesas é até mais barata do que em Espanha.
A polémica em torno dos preços dos combustíveis em Espanha e Portugal foi reactivada esta semana, quando o Automóvel Clube Português considerou, numa nota à imprensa, que "se assiste em Portugal uma vez mais à concertação de preços dos combustíveis". A entidade presidida por Carlos Barbosa considerou também que existe "uma enorme diferença de preços face a Espanha - mais 25 cêntimos por litro de gasolina e 13 cêntimos por litro de gasóleo em Portugal".
No seguimento acusou a Autoridade da Concorrência de "inoperância" e de "demitir-se das suas obrigações" no que toca ao mercado dos combustíveis, por considerar que o regulador ignora indícios de concertação de preços.
Hoje, fonte oficial da Galp Energia declarou à Lusa que "quando a empresa fixa os preços de venda dos combustíveis, limita-se a reflectir as subidas e descidas verificadas no mercado europeu na semana anterior".
Por isso mesmo, a Galp considera que "os preços actuais estão perfeitamente ao nível do que se verifica nos restantes países europeus". "A gasolina em Portugal, antes de impostos, está mais barata do que em Espanha e o preço de venda ao público do gasoleo é inferior à média europeia", acrescentou.
Os dados mais recentes da Directoria-Geral da Energia e dos Transportes da Comissão Europeia, relativos a 04 deste mês, indicam que o litro de gasolina sem chumbo 95 em Portugal é o quinto mais caro da UE-27, depois da Holanda, Dinamarca, Finlândia e Alemanha, enquanto o litro de gasóleo é o 11º mais caro.
A análise mostra que um litro de gasolina 95 custa em Portugal 1,302 euros, incluindo impostos. É o quinto preço mais caro, atrás dos 1,437 euros por cada litro na Holanda ou dos 1,374 euros euros na Dinamarca.
Em relação a Espanha, a diferença é de 22 cêntimos por cada litro de gasolina 95 (nas bombas espanholas custa 1,089 euros) e de 7,5 cêntimos no litro de gasóleo (que custa 0,98 euros em Espanha).
A média dos preços destes dois combustíveis na Europa a 27 é de 1,231 euros para a gasolina e de 1,071 euros para o gasóleo.
O cenário muda quando se comparam os preços sem os impostos, especialmente no gasóleo.
Um litro de gasolina 95 em Portugal sem os impostos custaria pouco mais de 50 cêntimos (0,5020 euros), sendo à mesma o quinto mais caro da UE-27, mas ligeiramente mais barato do que em Espanha (onde custaria 0,5097 euros).
O litro de gasóleo sem impostos custaria 0,520 euros (52 cêntimos), sendo o quarto mais caro. Em Espanha, sem impostos, o litro de gasóleo custaria 51 cêntimos.
A média da UE-27 dos preços dos combustíveis sem impostos é de 46 cêntimos para o litro de gasolina e 47,9 cêntimos para o de gasóleo.
Às 00:00 de hoje, a Galp baixou em um cêntimo o preço do litro da gasolina e do gasóleo.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Matemáticas em Portugal, todas iguais ????
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Orgulho Português.... Aonde???
Trata-se de um retrato por quem estando de fora nos vê, sem perder tempo olhando para o espelho e questionando a célebre frase: "Espelho meu...."
A defesa do orgulho portuguêsCriticar, sem passar por antipatriota, e elogiar, sem passar por bajulador, não é fácil à vez e, ainda menos, em simultâneo.
Principalmente se o tema escolhido for a história económica portuguesa no século XX. Talvez a distância (vive no Canadá) tenha o mérito de fazer temperar emoções e razões, mas o facto é que Álvaro Santos Pereira o conseguiu de forma brilhante.
Sendo um académico jovem, o autor estudou e reflectiu sobre um período que ainda é tratado com pinças por muitos veteranos da intelectualidade portuguesa e escolheu uma linguagem viva, com humor e despojada de "economês" para atacar um tema debatido à exaustão.
A ideia base de que parte é que o pessimismo luso não é tanto uma característica inata, mas é sobretudo uma reacção a conjunturas históricas e opções políticas que, muitas vezes, nos fazem desvalorizar a capacidade de fazer coisas extraordinárias e participar do progresso.
A mais longa ditadura europeia do século XX, com o seu isolamento económico e cultural, não é factor de somenos importância. Desde logo, o mito da crise. Portugal tem vivido em estagnação, num crescer "devagar e devagarinho" na ordem do 1% desde 2000; mas antes da hecatombe do final de 2008 já a palavra corria há muito de boca em boca.
"Se a nossa economia crescesse ao mesmo ritmo do pessimismo nacional, seríamos por certo a economia mais dinâmica da União Europeia e estaríamos a viver um milagre económico de dimensões irlandesas", escreve o autor nas primeiras páginas, criticando a falta de confiança, mais perniciosa que a falta de meios ou de criatividade.
Num primeiro momento, Santos Pereira analisa as causas dessa estagnação (burocracia, sistema judicial inoperante, sistema educativo desfasado), com grande enfoque no regime salazarista e no impacto da descolonização. Depois, descreve exemplos de "campeões nacionais" e as razões do seu sucesso. Finalmente, a receita para cortar de vez com o pessimismo vem na segunda metade do livro: lutar contra as regras fundamentalistas de Bruxelas (sobretudo no que ao défice diz respeito), deixar para mais tarde obras faraónicas e de retorno duvidoso como o TGV para aplicar as verbas no turismo ou no parque escolar, e apostar numa estratégia AEIOU. O acrónimo para esta "receita pouco mágica" traduz-se em Arriscar mais, Educar melhor, Inovar mais, Organizar mais e melhor, Utilizar melhor as nossas vantagens comparativas.Em suma, a solução é transformarmo-nos (como o próprio) em optimistas realistas e dar atenção a exemplos como o de Belmiro de Azevedo , construtor do império Sonae.
O empresário, que assina o prefácio, partilha da visão do autor: "A haver um projecto nacional para contrariar o medo colectivo, este deverá ser novo e diversificado, extremamente inovador e, sobretudo, deverá perseguir objectivos adequados à nossa ambição".
Uma nota para dizer que se sente falta de mais reflexão sobre a década que mediou entre o pós-25 de Abril e a adesão à UE - um período vital na construção da "personalidade" lusa, mas talvez fique para outra obra. Para já, este livro dá-nos muito e bom material para pensar sobre o país e o mundo em que vivemos, quase sempre com um sorriso a fugir-nos da boca.
O medo do insucesso nacional
Autor Álvaro Santos Pereira
Editora A esfera dos livros
Páginas 326
Preço 17 euros
Isabel Marques da Silva/José Vegar